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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2004

Bárbaros vs Civilizaçao?!


"Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo (às
15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus
dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um
serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e
nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.

A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível
salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao
argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente
que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em
auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem
em Expos e Euros.

É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga
ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados
«devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades
móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em
Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e
«confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.

Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários
portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já
agora, os políticos. Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF
naquele país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas nem pela
alta cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se
ofendem quando os tratam por tu.

Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros
fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os
ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o
ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para
assuntos verdadeiramente importantes.

Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com
despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas
públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram
um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem
milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por
uma boa causa.

Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres
lusos em competições internacionais, nunca precisaram de pagar aos seus
jogadores quatrocentos salários mínimos por mês para que estes joguem à
bola.

Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali
montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do
círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia
nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social.

Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de
apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Não
clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do «excessivo peso do
Estado», para depois exigirem isenções e subsídios"

Nao seria tempo de compreeendermos que talvez os bárbaros sejamos nós? Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.

publicado por Andre às 13:42
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1 comentário:
De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2004 às 12:50
ehehehe muito me ri com isto e mais não digo!okayyam
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(mailto:)

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