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Sexta-feira, 7 de Maio de 2004

Estou farto de perguntar porquê e não me canso!

Aqui há dois anos, os Ateliers Permanentes da Casa da Cultura de Beja, ganharam um novo “irmão”. Nascido de um intento pessoal, em conjunto com um desejo da autarquia e de quem é responsável pelos ateliers, o Atelier de Ambiente foi criado no sentido de agrupar um número de cidadãos em torno desta temática, que em cooperação com a autarquia, pudesse identificar problemas ambientais na cidade de possível resolução.

É nossa tentativa, cumprir com os objectivos a que nos propusemos, quer ao nível da sensibilização, informação, execução de materiais pedagógicos, visitas de estudo e uma vez mais, o levantamento de situações de risco ambiental.

Evidentemente, os obstáculos com que nos deparamos são imensos e difíceis de tornear, mas deixando este aspecto para umas linhas mais adiante, concentremo-nos por hora, no nosso projecto actual, porque apesar da falta de recursos disponíveis, esforçamo-nos por intervir com o que dispomos. Assim, do ano transacto, ficou mais uma promessa, a de efectivar um circuito ornitológico no Jardim Público, que pudesse ao visitante, explorar este meio e entrar em contacto directo com uma componente faunística bastante ignorada no nosso país: as aves, designadamente as aves urbanas.
Contudo, o tempo passa e as ideias ficam por concretizar. Não acharia isto nada de excepcional, não fosse o caso, de há dois fim de semana atrás, aquando da realização de uma actividade no jardim para 30 crianças, ter comprovado que há necessidade em Beja de criar outro jardim, um área verde em que a Educação Ambiental seja abordada por forma a dar resposta de algum modo aos desafios que o Séc. XXI exige.
Por outro lado, há uma coisa que parece ser muitas vezes esquecida, é que vivemos numa capital de Distrito e muitas escolas, têm que se deslocar para fora da Região para encontrarem um espaço com estas características, que lhes possibilite fornecer aos seus alunos algumas das matérias abordadas nos seus programas escolares.

Bem...adiante. Eram 10 e pouco da manhã e comemorava-se o 25 de Abril. O jardim estava cheio, cheio de sol e sorrisos, correrias e boa disposição, mas, a quem dá valor a estas coisas do ambiente, há coisas que não lhes escapam e apesar de toda esta alegria e cor no Jardim Público de Beja, o mesmo estava vazio, vazio do cantar das aves, e até os melros, que são tão audíveis, nesta manhã não se faziam ouvir. Dois dias antes, tinha lá estado e tinham maravilhado com o canto de um rouxinol (infelizmente cada vez mais raro ouvir e muito menos no meio urbano), pensei de mim para mim, oxalá as caixas ninho que colocámos para rouxinol lhe sirvam de abrigo.
colocação de ninho.jpg
E foi assim o dia 25 de Abril, cheio de cor e alegria para uns e um pouco mais vazio e triste para outros, para aqueles, que “apenas” têm este espaço em Beja para intervir, um espaço que neste instante alberga dezenas de espécies de aves em fase de reprodução, aves, que seguramente terão sido incomodadas com a presença de centenas de pessoas debaixo dos seus ninhos. Fica para um futuro incerto a criação de uma área verde que se destine à conservação e educação ambiental.

Neste instante, parece que me desviei imenso do que me trouxe até aqui, mas inevitavelmente a paixão fala mais alto…
Volto a afirmar que é necessário um novo pensar do Jardim Público, enquanto realizávamos a nossa actividade (jogo de exploração do meio), muitas crianças e pais curiosos, demostraram desejo de participar também. No final, ficava o meu ar de desalento, um ar de quem já há dois anos indicou que devia ser montado um jogo de exploração do meio neste espaço, para quem visita o jardim, a qualquer hora e a qualquer dia, possa percorrê-lo e no fim, leve um conhecimento para casa que há muito que nos é exigido; a importância das áreas verdes e das aves urbanas.

Actualmente a nossa proposta (mais uma) é ao nível do enriquecimento ambiental das gaiolas que alojam pombos, rolas, pavões, faisões e porquinhos-da-índia. Julgamos que o jardim, as aves, as pessoas e a autarquia iriam ganhar com uma intervenção como a que propomos, que é criar mais conforto e bem estar aos animais, por forma a exibirem os seus comportamentos de forma mais natural e atractiva para quem os visita.
E é aqui que volto às dificuldades.

gaiolas1.jpg

A proposta foi entregue e apreciada. Foi aceite, mas quando vai para a frente? Quem e quando nos são fornecidos os materiais para a execução da proposta? Quem nos dará assistência? Quem nos entrega uma chave na mão para podermos entrar nos espaços a enriquecer? Quem é o responsável da autarquia que se encarregará de estabelecer contacto connosco e nos permita obter os recursos necessários? È óbvio, a resposta não está em cima de uma mesa, estará por ventura dentro de uma gaveta, à espera que alguém se lembre de a abrir. Infelizmente, vivemos num Estado demasiado burocratizado, a assinatura e o papel, valem mais que a palavra e enquanto assim for, coisas que se afiguram sem importância, não poderão ser feitas. Contamos com muitos poucos recursos, não dispomos de verbas que nos permitam alargar o nosso âmbito de acção, nem de recursos materiais e mesmo ao nível dos recursos humanos, as nossas limitações são bastante visíveis, mas uma coisa nos dispomos, de coragem, esperança e paciência para o trabalho que queremos desenvolver. Haja paciência e o discernimento para entender nestas palavras não uma crítica, mas um apelo!

Para quem não conhece, faça uma visita virtual por este parque biológico em Vila Nova de Gaia e vejam com os vossos próprios olhos um exemplo a seguir, uma fonte de riqueza de conhecimento e criadora de postos de trabalho, quando sei que por dia saem do Alentejo 32 pessoas, que Beja é capital de distrito e me respondem que as Conversas de Beja são sobre trânsito e não emprego, dá-me vontade de mandar tudo para...aliás o património são também as pessoas, não ignorem a empregabilidade em detrimento do trânsito, porque não estamos desta vez a falar de Turismo Ornitológico, (para o alguns senhores ilustres desta cidade, este turismo passa por comer passarinhos fritos), mas sim de pessoas e sem elas, não há desenvolvimento!


Luís Dinis



publicado por Andre às 10:57
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2 comentários:
De Anónimo a 10 de Maio de 2004 às 22:47
Caro Belota Brava:
Partilho da sua visão sobre os espaços verdes de Beja. Penso que não se devem avaliar os espaços verdes da cidade em função do número de árvores plantadas, ou seja, devemos pensar não só na quantidade mas também na qualidade. Com isto quero dizer que plantar relva enfeitada com flores inadaptadas ao nosso clima talvez não deva ser tornado hábito e talvez os espaços verdes devessem por vezes ser pensados por forma a tornar apetecível o seu uso por parte da população e não meros espaços relvados que acabam por apenas ser olhados e não efectivamente usufruídos.
Isto não invalida os espaços bem conseguidos que se têm criado na cidade e a nossa grande esperança no futuro Parque da Cidade. Resumindo: Mais espécies autóctones do nosso Alentejo e mais espaços para serem efectivamente utilizados pela população.
Obrigado pelo seu excelente comentário.
Um abraço!André
(http://temavondo.blogs.sapo.pt)
(mailto:andre.claudio@mail.pt)
De Anónimo a 10 de Maio de 2004 às 11:11
Quero antes de mais congratular o sr. Luís Dinis pela atitude e pelas iniciativas que desenvolve sempre em prol do bem estar de todos..

No que respeita às zonas verdes desta bela localidade considero que a base da discussão tem a ver com o conceito de espaço verde. No outro dia em conversa com um funcionário da cmb este afirmava com orgulho o trabalho que a câmara tem desenvolvido na criação / restruturação dos espaços verdes da cidade, é visível e os cidadãos agradecem. O cerne da questão tem a ver precisamente com o tipo de espaço e os objectivos a que se destinam, a nova rua de lisboa está muito carismática, noutras zonas surgem pontualmente umas relvas e flores, em breve vamos ter um lago.. mas que é das zonas verdes, será que nos devemos conformar com o jardim público e as velhinhas matas dos "alemões" ou vamos considerar a necessidade de criação de espaços de lazer pensados para o futuro(como referia o sr. Luís), organizados, geradores de qualidade de vida e dotados de estruturas para reforçar o ensino dos cidadãos para a preservação de espaços e espécies....não que os os moradores não agradeçam o que tem vindo a ser feito(apesar de nem sequer serem questionados acerca de nada)mas de certeza que ao vermos surgir noutras cidades projectos ambiciosos de valorização do ambiente( como é ocaso de algumas vilas e cidades do distrito)em beja vimos surgir cada vez mais zonas de betão ajardinadas e vemos desaparecer as poucas árvores e sem garantias de serem repostas. A minha observação não é no sentido de criticar o quem tem vindo a ser feito mas sim de reforçar que se pode fazer mais e melhor. Se alguém descobrir que é que tem a chave das gavetas onde stão guardados os projectos! diga-me que eu vou lá resgatá-los..... belota brava
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(mailto:cha_parro@portugalmail.pt)

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