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Quarta-feira, 28 de Julho de 2004

Tom Zé em Sines - Censura, Paz e Fórmula 1

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Já falámos aqui sobre programa geral do Festival das Músicas do Mundo de Sines. Deixamos agora algo mais pormenorizado acerca de Tom Zé, artista que a par com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, integrou o famoso movimento Tropicalista, que revolucionou a música brasileira. Ao contrário de Caetano Veloso, que há muito abandonou a atitude "contestatária", Tom continua a reinventar a (sua) música a cada novo álbum, sempre com uma forte componente política. Sempre aclamado pela crítica, embora desconhecido do grande público, este homem é um animal de palco. Assim espera-nos na Sexta-feira, um grande concerto no Castelo de Sines!

"A cada disco, Tom Zé firma-se como um grande compositor. Não há rimas fáceis. Em Imprensa Cantada 2003, assim como em toda a obra desse tropicalista, cabe ao público decifrar seu pensamento. É provocante. Provocador.

Neste novo disco, lançado pela Trama, Tom Zé faz um trabalho de temática variada, à imagem e semelhança do jornalismo diário. Parte da busca pela paz - engajando-se na campanha contra o Imperador Bush -, fala de Fórmula 1 e desfila na calçada da fama, em Você é o Mel, genial versão de Augusto de Campos para o clássico de Cole Porter, You’re the top. Em Língua Brasileira, resolve discutir a unificação da grafia entre os países de língua portuguesa. Foram poucas as músicas compostas exclusivamente para o disco, o que colabora com essa sua diversidade de assuntos.

Imprensa Cantada 2003 surge após Jogos de Armar (2000) ter sido alvo de censura pela classe média, que baniu a música de Tom nas rádios paulistanas - em uma das músicas, Tom Zé "come gente fina/ Pra depois vomitar", clama em outra música pela puta que pariu, além de outras . Talvez por isso, o centro das atenções agora seja a censura. Em Sem Saia, Sem Cera, Censura [com a revelação Jair Oliveira, diretor-geral do disco], conecta a arte à censura, numa “parceria da bala de canhão com a bolinha de sabão”. Tom Zé é pragmático: "A censura, ela morre de amor pela arte/Mas é a enxada/Acarinhando a fada”.

Companheiro Bush, música que acabou tendo certa repercussão no começo do ano por conta da aventura norte-americana no Iraque, aparece no disco muito bem rearranjada por Max de Castro. Talvez por terem maior apelo popular, Companheiro Bush e Urgente Pela Paz, compostas em protesto contra a guerra, devem ser as faixas tocadas no rádio. Assim, é bem provável que Imprensa Cantada 2003 seja taxado por quem não o ouviu como “um disco que diz o que as pessoas querem escutar”. Nada mais distante da essência do trabalho.

Tom Zé é hoje um dos melhores compositores brasileiros - tanto pelas letras bem elaboradas, quanto pela precisão ao transmitir suas mensagens. Canta em ritmos diferentes, passeando pelo samba, pelo xote, pelo maracatu e pela sua tropicália. De forma simples (“Pela paz, é urgente, é urjá”), ou complexa e figurada ("É a rima, a rima ditada por lei, por decreto/É a múmia que mama no teto/O insosso temperando as frutas"), segue fazendo poesia."

Luís Felipe Fustaino






publicado por Andre às 00:41
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