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Quinta-feira, 29 de Julho de 2004

"VALORES QUE SE PERDEM"

Não consigo deixar de recordar, que em Espanha, quando a maldita embarcação com o nome Prestige, espalhou pelos mares da Península Ibérica, a negra cor da morte, uma intensa mobilização civíl, responsabilizou o Governo em funções, pela trágica ocorrência, mobilização contrastante com o civísmo e sentido de cidadania do povo português, tantas vezes primeiríssimo responsavél, pelo zelo e ordem do seu País e que lamentavelmente, troca cerveja e futebol, pelo futuro dos seus procedentes.



Como alguém dizia e dizia bem, afinal, não servimos só para apoiar a selecção!!

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"Com Portugal ainda a arder, e o novo Governo a mostrar algum autismo de salão perante a dimensão da catástrofe que se abate sobre o País."




"Com os autarcas das áreas atingidas a fazer o seu papel sazonal de virgens ofendidas ? como se também sobre eles não recaíssem pesadas responsabilidades. Falemos de cidadania.




A reacção das pessoas hoje tende para a passividade onde antes se manifestava uma atitude solidária e proactiva. Perante os incêndios, agora, tudo repousa na capacidade de resposta das autoridades. As gentes só se mobilizam quando o incêndio põe em risco os seus próprios interesses. Ainda há poucas décadas, as aldeias mobilizavam-se para combater o fogo que rondava qualquer aldeia vizinha. Assegurava-se assim a reciprocidade.




Todos vamos perdendo os valores da boa vizinhança e é assim no campo como na cidade. Entregamo-nos nas mãos do Estado, seja para combater incêndios, prevenir crimes, matar a fome. Ninguém quer incómodos. Que o digam os muitos que terão visto uma adolescente morrer atropelada, em pleno meio-dia, na rua principal do Laranjeiro. Não estão para se maçar contando o que viram, apesar dos apelos doridos da mãe da vítima."



No fogo, na aflição, ou na dor, voltamos costas. E este é um novo inferno.




Octávio Ribeiro, Subdirector



In Correio da Manhã, 2004-07-29






publicado por Andre às 06:31
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