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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

SER PRINCIPE EM "PALAVRAS ANDARILHAS"

Não sou muito defensor que a natureza de um weblog se resuma a ser um diário, apreendendo-lhe uma multiplicidade de funções, nada há neste mundo, que impeça de um weblog ser um ou não diário, conter um ou outro propósito, deter uma ou não função social e porque nada há que impossibilite o weblog de ser a soma de tudo, também nada há que impossibilite ele de ser uma só parte da soma e assim rendido, desabafo um episodio deste 1º dia de “Palavras “Andarilhas”, edição de 2004, na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, em que fui personagem de um conto.




Quisera a força das circunstâncias, do acaso ou da vontade, fazer-me personagem de uma história infantil. A historia em que a convite dos contadores me foi dada uma personagem, mais não é que o clássico de Óscar Wilde, que decidi ir procurar no imenso mundo da rede e como um espanto nunca vem só, maior foi quando por pesquisa de príncipe encontrei esta página disponível no poderosíssimo google:




http://www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/principefeliz.html, nada de especial não fosse esta pagina ter uma referencia a Omar Khayyam na base, mas como esta versão mais completa do conto, é no entanto mais morosa de ler, fica aqui então o conto referido de forma abreviada.




thehappyprince.jpg




O PRÍNCIPE FELIZ



Na mais central praça da cidade erguia-se a estátua do Príncipe Feliz. Era uma autêntica jóia.




Um dia pousou aos pés da estátua uma formosa andorinha, que estava de passagem para o Egipto. Era a sua última oportunidade, pois havia-se atrasado ao querer convencer um junco a acompanhá-la na viagem. Mas o junco não pode separar-se da terra que lhe dá a vida, apesar do amor que o liga à andorinha...!




Olhando com mais atenção para a estátua, a andorinha notou que duas gotas lhe molhavam a cara... Eram duas grossas lágrimas!




-Porque choras, Príncipe?
-Pelos pobres da cidade, amiguinha. Há tantos! Quando reinava ninguém me contava nada do que sucedia, e os altos muros do Palácio não me deixavam ver. Mas desde que me colocaram aqui posso ver a pobreza e a miséria de tanta gente, e sinto-me angustiado. Queres ajudar-me?




-Estou de passagem para o Egipto... -respondeu-lhe a andorinha.




Mas o Príncipe pediu-lhe tanto, que acabou por dizer que sim.
-Arranca o rubi da minha espada. Leva-o ali àquele casebre em frente. Lá vivem uns meninos pobres que não podem pagar o aluguer. Querem pô-los na rua... Impede-lo!




A andorinha arrancou o rubi da espada e levou-o ao casebre.




-Olhem, deixou-nos uma coisa.
-É uma jóia. Podemos vendê-la e com o dinheiro pagar o aluguer da nossa casa. -disse a mais velha.




Voltando para junto da estátua, a andorinha disse ao Príncipe:




-Terminei, Príncipe. Agora vou partir para o Egipto.
-Espera um pouco, amiguinha. Há mais pobres na cidade. Leva uma safira a um escritor doente, que é tão pobre que nem pode pagar os remédios.
-Mas a safira é um dos teus olhos. Vais ficar cego se to arrancar.
-Não faz mal! Anda, vai ajudá-lo.




A andorinha voou até à arruinada cabana que o Príncipe lhe tinha indicado. E a safira serviu para salvar o velho escritor.




Havia mais pobres na cidade. A andorinha tinha que voar para o Egipto, onde passaria o Inverno junto com as irmãs... mas o Príncipe pediu-lhe que tirasse a outra safira do olho.




-Se o fizeres FICARÁS CEGO!
-Não faz mal, andorinha.




Estava muito frio. O Inverno já se instalava. E a andorinha foi socorrer outros pobres. Arrancou uma a umas as lâminas de ouro da estátua. E quando acabou e dela já nada de valor restava, deitou-se aos pés do amigo. Não o abandonaria assim cego...! E numa noite ainda mais fria a andorinha morreu, o que feriu profundamente o coração de chumbo do Príncipe Feliz.




Como a estátua sem os enfeites ficara muito feia, um dia baixaram-na do pedestal e levaram-na para uma fundição. Mas ao fundi-la verificaram que o coração de chumbo resistia ao calor mais elevado. Deram-no então a outro ferreiro, que também não conseguiu fundi-lo.




-Tragam ao Céu o coração de chumbo do Príncipe Feliz e o corpo da Andorinha -ordenou Deus, sorrindo.
-Nunca na Terra ninguém demonstrou tanto amor pelos pobres -acrescentou. -Por isso vão ficar eternamente a meu lado.





publicado por Andre às 03:00
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4 comentários:
De Anónimo a 28 de Setembro de 2004 às 14:20
E porque não escreves tu esse conto?Ja reparei que tens muita imaginação.Faz isso, que os meninos da biblioteca se deliciem com a tua prose.
Faz sonhar quem tanto precisa de coragem para enfrentar este mundo de loucura.Carla
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(mailto:)
De Anónimo a 27 de Setembro de 2004 às 00:55
O Aroma do Trigo Ceifado, daria decerto um lindo conto, sobre a escondida magia, pela qual teria sempre saudades da minha terra...forte recordaçao a que as tuas palavras me remetem!!!!!!!!!!!


um bem haja sempre hoje e sempre!Luis Dinis
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(mailto:okayyam@sapo.pt)
De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 11:50
Que historia bonita, parabéns e obrigado por teres
compartilhado.



luisD
(http://www.tudoben.com)
(mailto:luisdamiao@tudoben.com)
De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 10:18
Linda historia a tua, oh principe de olhos tristes!
Nunca imagem ilustrou, tão bem, a beleza do teu rosto.Pelas vidas que ja tiveste, um pintor se aproveitou, para deixar numa tela, o que o vento levou.E la vens tu do passado, encantar esses meninos. Como do trigo ceifado, permanece aquele aroma,tu deixas a tua imagem, presa entre dedos finos. Ninfa
</a>
(mailto:)

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